MFL 2018 - Clique aqui para conferir!


Gente Bonita Inédito* Selecionado


Carnaval de Salvador, Bahia. Nove personagens vão para alguns dos camarotes mais badalados do circuito. Eles curtem a festa, performam, fabulam, filmam a experiência VIP em pau de selfie. “Gente Bonita” é um registro subjetivo da nossa época, do processo de camarotização em curso, repleto de micro-violências e costumeiras relações de poder.
Direção: Leon Sampaio
Duração: 73min
UF/Ano: BA/2016
Classificação Indicativa: 14 anos
Equipe: Performance, Imagem e Som: Aleth Valverde, Arthur Schmidt, Fernando Tavares, Igor Paes, Lucas Martiniano, Manuela Carvalho, Michelle Sampaio, Rafael Pig e Tito Lago. Direção e Argumento: Leon Sampaio Produção Executiva: Izadora Chagas Montagem: Leon Sampaio e Marcelo Pedroso Pesquisa e Assistência de Direção: Arthur Schmidt Produtora Associada: Lívia de Melo Coordenação Técnica de Imagem: Camilo Lôbo Coordenação Técnica de Som: Breno Tsokas Edição de Som e Criação de Trilhas: Ilari Papá Mixagem: Gera Vieira (Estúdios Carranca)
Elenco: Aleth Valverde, Arthur Schmidt, Fernando Tavares, Igor Paes, Lucas Martiniano, Manuela Carvalho, Michelle Sampaio, Rafael Pig e Tito Lago.
Contato: Transe Filmes - leonsampaio@gmail.com

Comentário da Curadoria


Há-e-não-há Salvador, eis a questão
Por Scheilla Franca

Peço licença para ocupar esse lugar e demarcar que meu exercício de escrita sobre o filme Gente Bonita (2016) não é do lugar de curadoria, como são os dos demais textos que compõem este catálogo. Falo enquanto espectadora de um filme que conseguiu mobilizar em mim discussões que, tenho certeza, serão ampliadas nos espaços de debate reservados aos longas livres, propriamente debatidos pelos curadores de corpo presente, deles, do filme, do realizador e dos espectadores, como eu. Vejo, daqui, de longe, que os filmes foram sincronicamente organizados e se fazem ser vistos, mesmo a olho nu. Algumas obras se dão a ver mesmo de longe e nos alcançam, de alguma forma, ainda que pelo desconforto, nos capturando e nos fazendo mover e agir. E tomar lugares. Foi o filme que me trouxe aqui, como invasora e exploradora dessa via carnavalesco-cinematográfica.

A proposta de Gente Bonita (2016), realizado por Leon Sampaio, convida o espectador para acompanhar o carnaval de Salvador pela visão dos camarotes. Para tanto, o realizador encontrou como forma de dispositivo a entrega de câmeras portáteis em suportes para selfie para que seus próprios personagens se registrassem durante a folia. Em seguida, sem conhecer previamente os personagens, se apropria dessas imagens na montagem de um filme que suscita tudo menos consenso. Ética, estética, política e gente bonita... o que cabe o que fica de fora nessa narrativa em pau de selfie?

Se o dispositivo escolhido por Leon pode fazer lembrar Pacific (o filme tem a colaboração de Marcelo Pedroso, realizador de Pacific, na montagem), há também distâncias. A aproximação se dá no sentido de olhar para uma classe média alta que, na narrativa, está de alguma forma, isolada. Se em Pacific era o cruzeiro e o mar... aqui são os camarotes e sua gente bonita, numa expressão tão ordinária quanto excepcionalmente segregadora. Lá fora um mar de gente pipocando.

O filme de Leon, de seus personagens e de sua equipe é ainda o filme de muita gente sem crédito. Só nisso, muitos dilemas éticos podem ser trazidos à tona. Os personagens - aqueles com nomes próprios, autorização de imagem e que se governam (?) - organizam sua experiência da folia soteropolitana por e para o registro das suas câmeras, que olham, acima de tudo e todos, nos fazendo ver-ouvir-perceber mais do que talvez sua proposta inicial pudesse prever. E o que não se vê está fortemente presentificado.

Moro na capital baiana e, assim como um de seus personagens proclama: “Não há Salvador!”. Morar em Salvador é saber que ela transita num eterno cintilar entre o existir-e-não-existir, assim como as performances, cenários, o que invade e o que escapa ao quadro em Gente Bonita, nessa dinâmica proposta pelo realizador de entrelaçamento entre vida e arte, tendo como ponto de partida as belas máscaras da folia baiana. No filme, assim como na vida, sempre haverá-não-haverá, Salvador.

PROGRAMAÇÃO


(informações fornecidas pelos filmes no ato da inscrição online)