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Programação MFL 2017

Gaitán 3 - 1 curta e 1 longa

HOMENAGEM
PAULA GAITAN

sobre caminhos e não_
Gabriel Sanna

Esse ano a MFL homenageia uma das mais transgressoras autoras do nosso tempo, essa que prefere ruído à melodia e atravessa geografias e gerações com extrema sensibilidade, a cidade com lentes em punho e a idéia na cabeça de que o mundo é um incessante plano sequência revelado em tempo real - cabe a quem se aventura desvendar o ângulo preciso para o qual cada instante se projeta. Paula Gaitán nasceu em Paris e se criou em Bogotá, onde estudou Artes Visuais na Universidad de Los Andes. No entanto, foi no Brasil que construiu a maior parte de sua obra, oscilando nas fronteiras do documentário e das artes visuais/performáticas, desenvolvendo uma estética identitária extremamente autoral na qual a relação entre seu olhar, personagens e espaço é não menos que simbiose. Filme a filme Paula reinventa-se como autora de uma obra de desdobramentos improváveis; em seu primeiro longa, Uaka, rodado no Xingu durante o Kuarup, a câmera observa personagens e gestos com tanta naturalidade que obscurece o aparato (mínimo) necessário para se filmar à época. Parecia um prenúncio de que, com equipamentos mais dinâmicos, ela estaria ainda mais à vontade para registrar a profusão de encontros que se sucederiam. É necessário dissolver linguagem!, mitos & ritos, até ser um só, vide os pixels ruidosos de seu experimento mais recente, Sutis Interferências, tradução preciosa das dissonâncias propostas por Arto Lindsay - onde imagem e som revelam-se corpo indissociável e também a voz que interage pontualmente com a figura, a sonoridade e todos os seus aparatos - mesmo os tais dos quais seu cinema abriu mão faz tempo. Sem coincidências, é justo no universo da música onde alguns de seus mais potentes trabalhos convergem, espectadora atenta que é da cena gritante que se consolida a sua volta feito Noite, vagueando por espaços do underground carioca sem distanciamento, ao contrário, imergindo nos corpos e sons mais diversos que a cidade dia a dia tende a esconder. Também é na potência dos encontros inesperados do diverso que outros filmes-biografema se firmam e formam um conjunto dos mais potentes dessa retro: Lygia Pape, Éliane Radigue, Maria Gladys e Agnes Varda são ponto de partida de quatro ensaios de pouquíssimas camadas, cada um deles dedicado a um universo distinto mas juntadas aqui também pela presença dessas criadoras absolutamente singulares. Longe da totalidade que as biografias abarcam, tais filmes se limitam a captar em cada gesto o risco, aquele que só corre quem se propõe corromper o branco da tela. No entanto, por mais experimentais e livres que possam parecer seus processos, há um extremo rigor formal catalisado sobretudo em seu filme mais conhecido, Exilados do Vulcão, onde a partir de uma narrativa de quase amor percorremos interiores devastados de um estado de dissolução absoluta dos pactos de sentido entre todo ente e seu eco, restando à linguagem esse eterno verro esmo a um passo do abismo…

Além das sessões abaixo, confira alguns curtas da cineasta na Cabine Livre 15

13-04-2017 (-) 17h15 ( Duração: 94' ) CCBB - cinema 1 / RJ 41

Título Duração UF Direção Público
VIDA 65' RJ Paula Gaitán
AGNèS VARDA - A CHUVA EM MEU JARDIM 29' RJ Paula Gaitán

Classificação Indicativa:



PÚBLICO DA SESSÃO