MFL 2016 - Clique aqui para conferir!

Premiados 2015

A cada ano a curadoria da MFL define, alem dos selecionados e da programa��o geral do evento, os filmes que mais se destacaram e que ganhar�o o trof�u Filme Livre! Em 2015 foram 10 premiados, sendo 2 longas, 2 m�dias e 6 curtas. Al�m do trof�u os realizadores s�o convidados a virem � MFL Rio conversar com o p�blico ap�s a sess�o do filme, e os curadores tambem escrevem um texto in�dito sobre os filmes, justificando a for�a do filme e a sua premia��o. Os destaques de 2015 s�o:�


Longas premiados

Batguano

Tavinho Teixeira, PB, 2013, 74min




Num futuro pr�ximo, metade da popula��o vive nas ruas, os saques�aos supermercados fazem parte da rotina e o pre�o do quilo da�banana chega a equiparar-se ao grama do ouro. As cidades s�o�esvaziadas e o campo, chamada agora de zona intermedi�ria, � a��nica op��o de vida.�Batman & Robin j� se aposentaram neste cen�rio apocal�ptico, e�n�o procuram mais salvar a humanidade. Pelo contr�rio, vivem�em estado de melancolia num trailer abandonado, entre whiskies,�baseados e blow jobs ocasionais, e assistem ao fim do mundo pela�TV: o universo publicit�rio em estado de putrefa��o. Uma rep�rter�do notici�rio noturno anuncia que o �momento � chamado de�suspens�o do ocidente�. � o fim dos tempos midi�ticos.�Batman perdeu seu bra�o devido a uma peste conhecida�como batguano, mas isso n�o tem import�ncia: a�Paramount Pictures (sede de Hong Kong, pois na trama�todas as multinacionais migraram para o continente�amarelo) conseguiu leilo�-lo por 3 milh�es de d�lares.�Tentando resumir o irresum�vel: estes surreais e�improv�veis Batman & Robin gays sintetizam em Batguano�a crise existencial do apogeu do imperialismo cultural�no ano de 2033. A cenografia e os geniais travellings�em backprojection traduzem o esp�rito anti-ilusionista�do filme. Batguano � um manifesto audiovisual, criado�por Tavinho Teixeira num est�dio-batcaverna inspirado e�pelas ruas de Jo�o Pessoa. Santa Liberdade, Batman! � ��Chico Serra


Ela volta na quinta

Andr� Novais Oliveira, MG, 2014, 108min




Ela volta na quinta, primeiro longa-metragem de Andr� Novais Oliveira,�d� continuidade ao seu delicado trabalho de realiza��o, que come�ou no�curta Fantasmas e se desenvolveu no belo Pouco mais de um m�s. Novais�reatualiza os temas da intimidade e do caseiro no cinema, encenando,�ainda que sob uma escritura ficcional, um modo de vida comum de�seus amigos e de sua fam�lia. Vemos em cena ele pr�prio e seus pares�atuando para a c�mera, pois n�o se trata de um document�rio, mas de�uma trama ficcional que tem como ponto de partida as coisas vividas. ɠessa mescla entre o que existe previamente � presen�a da c�mera e o�que � encenado que confere o tom peculiar de sua filmografia, ou ainda,�o seu acento contempor�neo.�Aqui estamos no campo do comum: os pequenos dramas afetivos�encenados pela pr�pria fam�lia do realizador. Andr� Novais faz um

cinema popular, mas aqui o popular n�o se confunde�com o popularesco, ou seja, com as com�dias�televisivas pr�-programadas para fazerem 1�milh�o de espectadores, pois, nestas com�dias,�n�o h� vida, apenas uma f�rmula requentada para�emo��es que s� duram da sa�da do cinema at� a�pra�a de alimenta��o. O popular para Andr� Novais�� o que vem da vida simples da classe m�dia. Seus�personagens moram na periferia, de cor negra,�mas o filme nunca os v� pelo ponto de vista dos�exclu�dos ou dos marginalizados. � um popular

que dialoga com o cinema de Carlos Reichencach,�ou ainda de Yasujiro Ozu. A leveza de seus filmes�n�o esconde a complexidade de seus personagens:�entre encontros e desencontros, entre desejos e�trai��es, entre a vida e a morte, acompanhamos�essas vidas que giram em torno de nossos olhos�como se fosse num pequeno baile.�Marcelo Ikeda



M�dias premiados

Nada �

Yuri Firmeza, CE, 2014, 34min



Filme de contrastes, de luz e escurid�o, ci�ncia e m�stica, sobre��um mundo de portais, cada um mais fant�stico do que o outro�,�segundo o pr�prio diretor,�Nada ɠultrapassa os limites entre filme�experimental, videoarte, fic��o-cient�fica e filme antropol�gico. ɠum filme intergal�ctico: anti-antropologia futurista, (n�o) fic��ocient�fica�que apresenta sons e imagens de terras ancestrais �mesclados�com uma possibilidade de futuro. O futuro est� no passado.�O in�cio � jodorowskiano: �O universo come�a na escurid�o. As estrelas�s�o luzes refletidas que trazem imagens de outros �tempos�(�) O universo come�ou escuro��, narra um deus-astronauta em�voz off. O projeto faz parte de uma investiga��o de Yuri Firmeza,�artista pl�stico paulistano radicado no Cear�, em torno da cidade�de Alc�ntara, no Maranh�o, base de lan�amento de foguetes, mas�que tamb�m abriga remanescentes de quilombos e s�tios arqueol�gicos,�onde foram encontrados f�sseis de dinossauros.

Uma comunidade negra no Maranh�o, Festa do Divino, um cortejo�imperial, queima de fogos e um saxofonista faz soar um jazz�melanc�lico. No espa�o sonoro, c�nticos�ancestrais das caixeiras da festa do Divino�misturado com m�sica barroca. A certa�altura, ouvimos sons que remetem a NASA�(ru�dos de comunicadores entre a Terra e�o espa�o). Palacetes em ru�nas em filtros�avermelhados e planos de foguetes lan�ados�no espa�o sideral. Um baile de reggae�maranhense iluminado por luzes psicod�licas.�O t�tulo saiu de um depoimento de�um habitante local, afirmando que naquela�cidade maranhense: �nada �, tudo foi�ou ser�.� Considero�Nada ɠum filme fora�do tempo, m�sica da luz! Se olharmos com�olhos livres, daria para se pensar numa �possibilidade de um filme livre total: caminhos�abertos no tempo e no espa�o. Muitos�mundos dentro de um mundo, muitos filmes�dentro de um filme. � �Chico Serra

Nova Dubai

Gustavo Vinagre, SP, 2014, 50min



Gustavo Vinagre j� havia nos surpreendido com o�belo e duro Filme para poeta cego � premiado�na MFL de 2013 � com sua mistura singela de dor e�prazer, sadismo e pureza, fic��o e document�rio. No�m�dia�Nova Dubai, Vinagre prossegue sua pesquisa�no audiovisual, colocando-se em cena num filme que�imagina-se que possui um di�logo com o autobiogr�fico,�mas ao mesmo tempo � completamente ficcional. Seu�filme nos encanta pelo prazer em narrar, por como o�autor se coloca no filme e em como seu filme respira�um sentimento de juventude. Essa doce e terr�vel�juventude, com seus prazeres, pervers�es, com�seu t�dio e suas descobertas. Essa vontade de n�o�ficar sozinho e essa procura louca por algo que fa�a�sentido, por sair de casa e ir ao mundo. Essa mistura�l�dica entre a pervers�o e a ingenuidade parece ser a�caracter�stica do cinema de Vinagre. A forma como o�autor encena o sexo merece um tratamento � parte.�Ousado e provocativo, mas ao mesmo tempo doce�e ing�nuo,�Nova Dubai�ainda mistura essa vontade�pessoal com um olhar muito singelo sobre a cidade�de S�o Paulo, em especial o processo de especula��o�imobili�ria. A mistura h�bil de todos esses elementos�com um humor provocativo faz de�Nova Dubai�um dos�mais interessantes e honestos retratos de uma gera��o. �Marcelo Ikeda



Curtas Premiados


De Profundis

Isabela Cribari, PE, 2014, 21min



�Olha s�: vamos construir uma hidroel�trica que vai inundar a�sua cidade e destruir a sua casa. Mas n�o se preocupe, pois j�constru�mos um novo lugar para voc�s e ainda melhor!�. Deve�ser muito f�cil dizer isto. Mais f�cil ainda quando o poder p�blico�imp�e tudo na trucul�ncia, j� que n�o � exatamente uma quest�o�de escolha: voc� � obrigado a aceitar a situa��o. E n�o se leva�em conta que toda uma popula��o criou ra�zes nos seus lugares�nativos; que existe toda uma quest�o de sustento ambiental�dentro de uma regi�o � e sem falar na mem�ria afetiva que vai�por �gua abaixo.

Pois � este tema espinhoso � e urgente�� que trata De Profundis, de Isabela�Cribari. Se valendo de depoimentos,�filmagens contempor�neas, imagens�de arquivo, c�meras subaqu�ticas e�licen�as po�ticas, a diretora consegue�expressar todo o drama da antiga�popula��o da Itacuruba - quando, em�1988, houve o remanejamento de todos�os seus habitantes para constru��o da�Barragem de Itaparica.�

O foco do filme � a sa�de mental dos�remanescentes: � impressionante o�n�mero de pessoas diagnosticadas�com depress�o em uma cidade t�o�pequena. N�o raro, muitos cometem�suic�dio. Ou seja, consequ�ncias quase�inimagin�veis para quem est� distante�disto tudo � como n�s, por exemplo,�morando nos grandes centros urbanos.

E um dos grandes m�ritos do filme � trazer isso � tona,�dando voz a estas pessoas que praticamente nunca�tiveram a chance de expressar a viol�ncia que sofreram�e abrindo uma ampla discuss�o sobre o tema.�

E De Profundis consegue ser criativo e bonito�plasticamente sem perder o foco da discuss�o: toda�a inventividade do filme se soma a sensa��o de dor e�de perda destas pessoas. O filme se encerra com um�plano lind�ssimo de uma bela mulher em alto contraste�se perdendo no horizonte de um rio; numa imagem�s�ntese de tudo que este document�rio apresenta.

Christian Caselli

2 0 1 5 M F L 17


Pr�mio pelo Conjunto da Obra, pelos filmes�Time Gap,�Spinoff,�Nothing to adjust�e�............................

Duo Strangloscope (Rafael Schlichting e Cl�udia C�rdenas), SC, 2014




Uma cidade em ru�na, um casal habitando nela, se bem que n�o se�sabe bem o qu�. Retocam o batom com o mesmo automatismo com�que retomam seus postos na vitrine da grife onde vivem, panques�de butique, agora tr�s, caminham na paisagem rarefeita da ex cidade-cora��o-automobil�stico-do-status-unidos-da-am�rica-de-l�.�A descri��o podia ser um resumo distra�do de Time Gap, trabalho de�maior destaque do Duo Strangloscope na Mostra do Filme Livre 2015.�No entanto n�o h� qualquer tom �pico ou apocal�ptico na atmosfera

grifada em super8 pelo duo, ao contr�rio, trata-se de um p�s-nada�abordado com extremo realismo, sem maquilagem ou qualquer�esfor�o publicit�rio em parecer sujo. apenas somos.

e o resto

Cl�udia C�rdenas & Rafael Schlichting trabalham juntos desde 2002.�Depois de eras experimentando linguagens e m�todos em diversas�oficinas e com a pr�tica de realiza��o em equipe m�nima que�adquiriram, descobriram a possibilidade de buscar uma maior liberdade�art�stica, rompendo de vez com paradigmas narrativos, sejam eles de�ic��o ou document�rio, e se desvinculando da estrutura industrial que�ainda engessava o cinema brasileiro daquele ent�o. Hoje, a cada ano, bombardeiam a MFL com os mais diversos �experimentos�f�lmicos, em diferentes bitolas, de molecagens sobre�interven��es-putaria em pel�cula � imagem ruidosa por�exemplo de um scanner, scratching e outras t�cnicas,

al�m dos experimentos com constru��o de cena, seja�ela com atores, paisagens im�veis ou mesmo a antiest�tica�do selfie, onde os pr�prios realizadores d�o a�cara aos tapas em alguns casos. Em paralelo, ambos v�m�sendo figuras fundamentais na forma��o de uma cena de�cinema experimental em Santa Catarina, especialmente�em Floripa, sempre proporcionando as mais diversas�mostras dos mais avan�ados cinemas propostos mundo�afora. Tais raz�es seriam suficiente pra que eles fossem�parceiros eternos da MFL, mas esse ano eles fizeram o�favor de nos presentear com um singelo soco na boca�do est�mago, sobre um beijo de batom e um bilhete j�borrado, onde pouco se lia. my name is time gap.�� ��Gabriel Sanna


E

Alexandre Wahrhaftig, Helena Ungaretti e Miguel

Antunes Ramos, SP, 2013, 17min



O carro como ENTE

No cinema, como na vida modernosa em geral, se valoriza�muito mais a imagem do que o som. Tamb�m por isso quando�um filme se disp�e a tratar o �udio com mais aten��o � uma�indica��o de que se entendeu o AUDIOvisual como ele de fato��, a soma destes dois sentidos t�o potentes quanto �mpares.�E come�a no som, �al�, al�, 123, teste, gravando�, e segue�mesclando muito bem e sutilmente imagens do google street�view com depoimentos e cenas do cotidiano geralmente frio,�concreto, cinza e feio de uma cidade gigante, onde se v� nas�ruas mais carros do que pessoas. Interessante notar que esse�tema, da mobilidade na vida das cidades e das pessoas, tem�sido recorrente nos filmes que a MFL recebe nos �ltimos anos.�Em 2014 por exemplo, um dos curtas premiados, Relat�rio #1,�tamb�m trata os autom�veis como protagonistas, por�m num�vi�s ficcional e mais debochado do que E, cujo foco � a ocupa��o�de espa�os antes sociais, como cinemas e casas de fam�lias,�em estacionamentos e/ou novos pr�dios. Assim o filme mostra�e narra, em offs de seus ex-moradores ou conhecidos locais,�como era a vida antes da crescente especula��o imobili�ria e�do excesso de autom�veis nas grandes cidades brasileiras que,�na maioria das vezes, n�o foram pensadas para receber nem�tanta gente, nem tantos carros. Entre estas mem�rias do que�se foi e o que se transformaram tais espa�os, o filme atesta

uma cruel realidade, de que tudo tem mesmo seu pre�o, para�sorte dos que querem e/ou podem pagar por mais privacidade�e exclusividade na hora de estacionar seu carro, por exemplo,�dentro do apartamento do oitavo andar, afinal, carros agora�s�o membros da fam�lia, SQN.���� Guiwhi Santos

2 0 1 5 M F L 19

Pequeno Objeto A

Daniel Abib, RJ, 2014, 15min



A ci�ncia e a virtude � Pequeno Objeto A


Ainda bem que chegamos a um paradoxo.

Agora, h� esperan�a de conseguirmos algum

progresso. � � � � � � � � � � � � � � � � � � �Niels Bohr

Uma produ��o modesta, com imagens de arquivo,�uma encena��o enigm�tica e uma narra��o over, s�o a base�para uma reflex�o �tica. Pequeno Objeto A nos coloca a�quest�o: � poss�vel conciliar ci�ncia e virtude? Uma pergunta�dif�cil e pertinente. Em pleno s�culo XXI, ainda n�o sabemos�respond�-la. Talvez a maior virtude do filme seja perguntar ao�inv�s de responder. Ao sublinhar o epis�dio da bomba at�mica,�Daniel Abib nos proporciona uma s�rie de paradoxos que se�materializam nas imagens em c�mera lenta do gigantesco�cogumelo at�mico em contraponto com a m�sica de Bach�e Villa-Lobos, s�mbolos de beleza. O choque entre som e�imagem � provocador e reflexivo. Nas palavras do di�rio do�cientista Ishio, que sustenta a narrativa, podemos, n�o sem�surpresa, observar sua perplexidade diante do horror provocado�pela bomba e sua estranha sensa��o de prazer �est�tico que a imagem evoca. A relativiza��o parece fazer sentido, uma vez�que nosso desenvolvimento cient�fico tem proporcionado tanto�o horror e trag�dia, quanto esperan�a e encantamento.�Dividido em epis�dios, o filme nos revela, no �ltimo�deles, uma estranha anomalia surgida no epicentro da explos�o,�que se instala e se confunde numa menina que passa a ser�estudada pelo cientista. A pr�pria menina � a anomalia, cheia de�eletrodos na testa, num estranho ambiente de laborat�rio. Ishio�manipula aparelhos de medi��o, mas nada consegue concluir. A�menina anomalia poderia se chamar �humanidade�. Diante de�um mundo violento e brutalizado pela disputa de territ�rios,�recursos naturais e hegemonia econ�mica, em contraponto�� era da revolu��o cient�fica, tecnol�gica e da comunica��o,�certamente cabe a pergunta: � poss�vel conciliar ci�ncia e�virtude? O paradoxo talvez nos traga algum progresso, na busca�de uma imposs�vel resposta. � ��Ricardo Mansur

Vailamideus

Ticiana Augusto Lima, CE, 2014, 8min



Existem v�rios tipos de document�rios, que v�o desde�o Cinema Verdade a liberdades po�ticas escancaradas,�como a trilogia �Qaatsi� (de Godfrey Reggio); passando�tamb�m pelas interven��es de Michael Moore e milhares�de outros formatos poss�veis. Mas h� aqueles �docs� que�s�o registros �nicos, que assemelham a espontaneidade do�fotojornalismo, onde um momento flagrado se expande e�toma dimens�es inimagin�veis.�

E este � o grande m�rito de Vailamideus, de Ticiana Augusto�Lima, que tudo o que fez foi ter enquadrado, numa festa,�uma fam�lia durante uma sess�o de fotos junto � idosa

matriarca. Mas o que era para ser um acontecimento banal�(e at� � mesmo) ganha uma for�a extremamente inc�moda�com o isolamento provocado pela c�mera. Afinal, a figura da

solit�ria senhora era mais importante que a sua pessoa em�si, tornando-se um objeto dentro da fogueira da vaidade das�pessoas. O filme acaba se tornando uma esp�cie de den�ncia

do vazio da cultura �selfie� e afins, onde as pessoas pensam�muito mais em �estar bem na foto� do que refletir em seu�entorno � entorno este que � a pr�pria vida. �Christian Caselli

Vistos em volta

Thiago Zamprogno, RJ, 2014, 10min



Uma linha t�nue entre passado e futuro costura e descostura incessantemente as micro-narrativas�desse enigm�tico filme de Thiago Zamprogno. Vistos em Volta imerge densamente no mais profundo�e primitivo sentido de olhar, dar � luz algo que boa parte do tempo passa despercebido ao furor da�bolha luminosa onde pouco se percebem no contraste as m�ltiplas formas do real. � filme autoral�no sentido mais honesto da palavra, fotografado e montado pelo pr�prio realizador, que tamb�m�assina a trilha paulada na orelha. A �nica liberdade poss�vel � a solid�o, cuspia em Joyce, o desenho�de som retrofuturista em sintonia com o clima sugestivamente sombrio da fotografia suprimem a�realidade de forma a reconstru�-la em tempos e espa�os completamente distintos, lan�ando m�o�de elipses sucessivas que conduzem o espectador a diversos recantos do universo e da hist�ria do�cinema, sem, no entanto, se ater a clich�s metalinguisticos ou cita��es gratuitas muito comuns em�algumas tentativas cinema de g�nero. O tempo � trans.�Gabriel Sanna




Mostra do Filme Livre 2015 | Desenvolvimento: Rivello/Menta