A MFL 2012 já rolou no Rio de Janeiro, tendo levado mais de 6 mil pessoas ao CCBB Rio. Agoar ela vai começar em Brasília e São Paulo. Os filmes abaixo selecionados fazem parte da programação do evento, que pode ser consultada clicando nos filmes, no item programação no Menu ou nos calendário na lateral da capa do site.

Premiado Inédito
(informações fornecidas pelos filmes no ato da inscrição online)

CELLPHONE
Programação
  • Dia 08-03-2012 (Quinta-feira)
  •   16:00 - Panorama 6 (Cinema 1 /RJ)
  • Dia 14-03-2012 (Quarta-feira)
  •   18:00 - Panorama 6 (Cinema 1 /RJ)
  • Dia 05-04-2012 (Quinta-feira)
  •   19:00 - Panorama 6 (CCBB Cinema /DF)
  • Dia 10-04-2012 (Terça-feira)
  •   18:00 - Panorama 6 (UnB /DF)
  • Dia 13-04-2012 (Sexta-feira)
  •   17:00 - Panorama 6 (Cinema /SP)

Texto Premiação


Uma história acerca de Cellphone. Que me faz pensar na premissa mesmo do diretor; propor um diálogo no espaço da invisibilidade entre ficção e documentário. Agora, alongo-me nas confusões geradas por este curta. Ele foi exibido num contexto de direitos humanos, e bastante criticado no momento. Aborda questões de Direitos Humanos? Primeira dúvida essencial. Eu defendi, sim, porque em muitos dos discursos documentais do filme, revela-se claramente o machismo tão enraizado na cultura da cidade. Um homem não pode ser baby-sitter, isso aqui é Salvador, meu rei, Brazil. Uma mulher na flor da idade está frígida com você, logo está lhe traindo, procura-se detetive com experiência no assunto. Pequenos crimes. Ao mesmo tempo, o curta trata destas questões sociais, de intimidade urbana também, com bastante humor, fugindo do estereótipo de uma suposta militância. Não, não é um filme denúncia de assuntos subterrâneos, nem mesmo de machismo (este foi um recorte pessoal) audíveis nas zonas etéreas das frequências telefônicas; é um filme-trote, tece uma ficção de acasos no meio de uma multidão munida de aparelhos. Uma ideia simples, revela intimidades no espaço urbano. Assuntos cotidianos. Voltando à polêmica. Uma militante de direitos humanos viu o curta como uma ameaça, sim ameaça, à um dos Direitos fundamentais: o direito à privacidade. Foi falado, o curta sugere uma situação onde anônimos podem ser grampeados, monitorados, o que remete à uma gravíssima infração; a de desrespeitar o direito que uma pessoa tem de controlar e disponibilizar as informações acerca de si. Ou seja, Cellphone foi, na ocasião, apontado como um curta que poderia, dentro de um contexto de Direitos Humanos, incentivar um estado controlador e não democrático. Monitoramento arbitrário de informações privadas. Foi um rolo. Para saber, no meio da reunião, se eram realmente grampos telefônicos, pois se fossem, estaria fora de questão apresentar o curta. Mas o fato não é fato e do outro lado das linhas, estavam atores, numa central organizada pelo diretor, passando espécie de trotes para números recolhidos em anúncios colados na rua. Cai então na água a suspeita de que o curta invade o espaço de liberdade do individuo por meio de prática ilícita. E o filme acaba até sendo premiado com o selo dos Direitos Humanos. Pois é. Fica aqui a deixa: de que forma um filme, com uma proposta narrativa não usual e ousada, pode suscitar de um lado indignação-estranhamento e de outro levantar questões tão poderosas quanto a do estado democrático. Não me pergunte porém, como este caminho crítico, meio torto, a história dos grampos foi tomar conta da cena, mas tomou. E ainda que fossem grampos, concordo, seria um filme feito de modo ilícito (como foi feito Frequencia Hanoi, outro curta dos irmãos Lisboa), mas este espaço invisível é ou não é um terreno da teia social? Do real? E outra; a suposta liberdade garantida por nosso estado democrático (teoricamente sem abusos nem invasões) é ou não está sendo constantemente ameaçada? Fica a ideia. Pode ser uma chave de leitura meio estranha para Cellphone, um filme bem-humorado, mas vale a pena refletir até que ponto uma estrutura narrativa de fronteira pode incomodar o espectador e o status quo. Por Manu Sobral


Celulares aos milhares, aos milhões. Aparelhos, linhas, operadoras, números, usuários. Nem a cidade nem o homem são capazes de viver sem suas próteses comunicacionais. Cellphone é uma intervenção no universo das ondas telefônicas invisíveis. Adentrando essas frequências, aproveitando sua vulnerabilidade, criamos outros sentidos, outras narrativas, um lugar ficcional, performático, inserido na comunicação cotidiana.

Diretor: Daniel Lisboa
Duração: 15min
UF/Ano: BA/2011
Formato Captação: HDV
Formato Exibição: DVD
Roteiro: DANIEL LISBOA
Produção Executiva: MAURICIO FONTOURA
Direção de Produção: DANIEL LISBOA
Fotografia: FABIO ROCHA
Câmera: FABIO ROCHA
Som: NAPOLEÃO CUNHA
Edição: CAETANO TRAVASSO
Elenco: Márcio Ciolo, Jorge Oliveira, Nilson Rocha, Paula Lice
Contato: Daniel Lisboa - dlisboa@hotmail.com
Classificação Indicativa: 14 anos


 




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